Banco Master não atendia critérios da Cedae quando iniciaram negociações para investimento de R$ 200 milhões
Regras internas da Cedae foram alteradas, passando a permitir aportes ao Master

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Uma auditoria interna da Cedae, empresa estatal de saneamento básico do Rio de Janeiro, concluiu que o Banco Master não atendia aos critérios para investimentos da companhia quando começaram negociações para aporte de R$ 200 milhões.
Foi revelado ainda que, as regras internas foram alteradas meses depois, passando a aceitar exatamente o perfil do Master e permitindo que a instituição recebesse as aplicações.
As negociações tiveram início seis dias após o então governador do RJ, Cláudio Castro (PL), ter um jantar pago pelo banqueiro Daniel Vorcaro, no valor de R$ 66 mil. No entanto, a auditoria não estabeleceu que há relação com o início das tratativas.
Segundo o relatório, a Cedae recebeu a documentação do Master em julho de 2023. Na época, o banco tinha a classificação de risco inferior do que a exigida pela política da companhia no período.
A investigação da Cedae foi aberta após a companhia perder os recursos investidos no Master.
A auditoria também concluiu que a diretoria financeira da companhia ignorou alertas internos sobre a situação do Banco Master, e que a estatal acumulou um prejuízo que ultrapassa R$ 222 milhões.
No processo de negociação dos investimentos, ao notar que o Master não era elegível, a diretoria financeira passou a realizar alterações na política de investimentos, em vez de interromper o processo.
Outro ponto abordado na auditoria é a data de início das tratativas. As investigações identificaram, por meio do sistema de catracas da Cedae, uma reunião em maio de 2023 entre representantes do Master e membros da Diretoria Financeira e de Relação com Investidores da companhia.
No entanto, a data apresentada pela administração da Cedae à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como o primeiro contato formal entre as partes é de um mês depois desta reunião.
Segundo a auditoria, as negociações aconteciam sem compartilhamento de informações com outros setores da companhia, permanecendo em sigilo.
Quando outros setores passaram a saber da operação, alertas internos foram surgindo, relacionados ao risco da reputação do Master e à exposição da Cedae. O relatório conclui que a diretoria financeira demorou de tomar providências sobre o agravamento da situção, já em 2025.
Em setembro de 2025, quando o Cedae decidiu buscar a recuperação dos investimentos, o Master já enfrentava problemas de liquidez. A instituição financeira ofereceu propostas de pagamento parcelado para a devolução dos valores.
Em novembro de 2025, o diretor financeiro da Cedae, Antônio Carlos dos Santos, se reuniu pessoalmente com Vorcar para assegurar a devolução dos aportes, mas sem sucesso. Uma das parcelas previstas não foi paga pelo Master em 17 de novembro. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco de Vorcaro.
Em nota, Antônio Carlos dos Santos, que foi diretor financeiro da Cedae entre outubro de 2022 e março de 2026, afirmou que "repudia de forma veemente todas as falsas alegações de omissão de dados e demais informações ao Conselho de Administração na CEDAE".


