Bolsa Família: MP pede ao TCU suspensão do reajuste de 15% anunciado por Lula

Representação questiona previsão orçamentária e impacto financeiro do aumento

Por Da Redação
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Bolsa Família: MP pede ao TCU suspensão do reajuste de 15% anunciado por Lula

Foto: Lyon Santos/MDS

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu a suspensão imediata do reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado questiona se há recursos previstos no orçamento para bancar o aumento e se o decreto apresenta a estimativa do impacto financeiro da medida.

O pedido foi apresentado nesta quinta-feira (17), mesmo dia em que Lula assinou o decreto. O reajuste eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691, com os novos valores previstos para começar a ser pagos em outubro.

Por que o MP quer suspender

Segundo Furtado, o decreto não apresenta estimativa do impacto financeiro, não indica a fonte dos recursos para bancar o aumento e não demonstra compatibilidade com o orçamento de 2026.

O subprocurador também questiona se o presidente poderia aumentar os valores do Bolsa Família por meio de decreto. Para ele, a medida pode ter ampliado despesas sem cumprir as exigências previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Por isso, além de pedir que o TCU apure possíveis irregularidades, Furtado solicitou uma medida cautelar para suspender os efeitos do decreto antes do início dos pagamentos.

Ele também pediu que Lula e os ministros responsáveis pelo decreto sejam notificados para apresentar, em até 15 dias, justificativas e informações sobre a existência de recursos para bancar o reajuste.

Questão eleitoral

Furtado também questionou o momento em que o aumento foi anunciado, a 17 dias do primeiro turno das eleições de 2026.

Na representação, ele afirma que o período “suscita fundado receio de desvio de finalidade político-eleitoral”.

O que diz o governo

O governo afirma que o reajuste é uma recomposição da inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026.

Com o aumento, o benefício mínimo passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio estimado sobe de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começam a valer na folha de outubro.

Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, o reajuste terá impacto adicional de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22,7 bilhões em 2027. 

A equipe econômica afirma que há recursos para bancar a medida por meio do remanejamento de despesas que devem ficar abaixo do previsto, principalmente na Previdência Social.

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