BrunoFest e a "cidade despencanda": O Prefeito das “fextas” e o deserto da gestão

Por Da Redação
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BrunoFest e a "cidade despencanda": O Prefeito das “fextas” e o deserto da gestão

Foto: Reprodução

Mais um ano se passou e, como manda a tradição, lá está Salvador descendo a ladeira nos índices de qualidade de vida. Com o "maior Carnaval do Brasil" e investimentos vultosos em festivais intermináveis — afinal, nosso "Bruno Fest" adora um palco e sustenta na cara dura a furada máxima de que "toda festa gera retorno" —, a capital baiana rasteja onde a vida realmente acontece.

​No ranking do Índice de Progresso Social (IPS), Salvador é mais do que uma vergonha: é uma nota triste no pilar de "Necessidades Humanas Básicas". Nutrição, cobertura vacinal e mortalidade infantil são tratados como detalhes burocráticos. E não esqueçamos das CSAP (Condições Sensíveis à Atenção Primária): o nome pomposo para o que é, na verdade, uma falha sistêmica. Estamos falando de óbitos evitáveis por doenças que, com uma rede municipal minimamente eficiente, não deveriam ceifar vidas. Se as vidas da população pobre fossem importantes para o "fexteiro" prefeito. Mas, pelo visto, para a prefeitura, é mais eficiente contratar o próximo show do que garantir o estoque de insulina e outros remédios básicos no posto de saúde.

​E se a saúde agoniza, a educação segue pelo mesmo caminho de terra batida. Enquanto a propaganda institucional tenta nos convencer de uma "revolução" no ensino, a realidade das nossas escolas municipais grita o oposto. É uma estrutura que falha em alfabetizar, que ignora a evasão escolar e que, quando não está abandonada em obras inacabadas — como os esqueletos de escolas prometidas que viraram monumentos ao desperdício — expõem os alunos a falta de uniformes, materiais e a um ambiente precário que condena o futuro dos nossos jovens. O orçamento que deveria pavimentar o caminho intelectual da nossa juventude acaba, ironicamente, sendo drenado para a maquiagem urbana e o marketing de quem prefere ver o aluno no bloco do que na sala de aula.

​Se tivéssemos que descrever a "tragédia grega" que os ocupantes do Thomé de Souza pintam como uma cidade de primeiro mundo, o roteiro seria longo. O resultado é uma debandada silenciosa: milhares de soteropolitanos, cansados de esperar por uma melhoria que nunca chega, preferem o exílio, levando consigo talentos e oportunidades que a cidade, por miopia administrativa, não consegue reter.

​A política de "pão e circo" — inaugurada na era ACM Neto e perpetuada com zelo por seu sucessor, Bruno Reis — segue a cartilha da ilusão. Enquanto o marketing institucional queima milhões atacando adversários, o cidadão comum assiste ao espetáculo de luzes e som, enquanto espera, na fila do posto ou na porta da escola fechada, que a gestão pública se digne a existir.

​No fim das contas, a gestão de Salvador transformou a administração pública em uma performance: um show de pirotecnia onde a única coisa que realmente se apaga é a esperança de quem ainda precisa viver nesta cidade.

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