Caravelas-portuguesas ferem 576 pessoas em um único dia na mesma praia
Contato com os tentáculos libera toxinas na pele e pode causar dor intensa

Foto: Rhalah
Os guarda-vidas do Corpo de Bombeiros do Rio Grande Sul atenderam mais de 500 queimaduras em banhistas na Praia do Cassino em um único dia.
Ao todo, foram 576 atendimentos na última segunda-feira (2). Os guarda-vidas alertaram para um número elevado de caravelas-portuguesas nas águas da praia.
O feriado aumentou movimento na praia. Na data, é comemorado o feriado de Iemanjá e Nossa Senhora dos Navegantes em Porto Alegre, Rio Grande (município onde fica a Praia do Cassino) e outras cidades do Rio Grande do Sul.
Contato com os tentáculos libera toxinas na pele e pode causar dor intensa. De acordo com os bombeiros, o fenômeno é comum nesta época do ano e exige cautela redobrada de quem vai ao mar ou circula pela faixa de areia, onde os animais também podem ser encontrados após serem trazidos pela maré.
CARAVELA NÃO É ÁGUA VIVA
Apesar do visual semelhante, a caravela não é uma água viva. Ela é formada por um conjunto de pólipos que atuam como um único organismo flutuante. O flutuador pode chegar a 20 cm e os tentáculos podem ultrapassar 30 metros.
A beleza aparente esconde um mecanismo eficiente de defesa. As toxinas estão em cápsulas microscópicas chamadas nematocistos, presentes nos tentáculos.
O ferimento causado por águas vivas e caravelas não é uma queimadura, como muitas pessoas pensam, mas sim uma intoxicação da pele causada pelas toxinas liberadas Fred Bernardes, dermatologista e doutor pela USP.
Especialista afirma que a dor costuma ser imediata. As lesões deixam linhas vermelhas marcantes na pele.
SINTOMAS PODEM SER LEVES OU GRAVES
A Physalia physalis está entre as espécies que mais causam acidentes no Brasil. Os sintomas vão de dor localizada a reações sistêmicas, dependendo da área atingida e da sensibilidade da vítima. Podem ocorrer:
ardência intensa;
vermelhidão em linhas;
coceira e inchaço;
bolhas e necrose superficial;
náuseas;
vômitos;
febre;
arritmia cardíaca;
insuficiência cardíaca e outros quadros mais severos.
Como prevenir
Evitar entrar no mar quando houver presença de caravelas na areia;
Confirmar com guarda vidas se há risco no local;
Respeitar a bandeira lilás, usada como alerta para cnidários;
Usar calçado ao caminhar na praia;
O que fazer em caso de contato;
Sair imediatamente da água;
Aplicar compressas geladas com água do mar, nunca água doce;
Remover tentáculos com pinça, lâmina ou luvas;
Lavar a região com vinagre, ácido acético 5 por cento, sem esfregar;
Procurar atendimento médico se a dor for intensa ou extensa;
Acidentes graves, especialmente com crianças, devem ser avaliados com urgência.
*As recomendações são do Ministério da Saúde.


