Conheça o Transtorno factício imposto ao outro, síndrome abordada no filme ‘Fuja’, da Netflix

Síndrome é conhecida pela "fraude" de doenças

[Conheça o Transtorno factício imposto ao outro, síndrome abordada no filme ‘Fuja’, da Netflix]

FOTO: Divulgação | Netflix

A história de uma mãe extremamente cuidadosa com a filha doente e os mistérios por trás dessa relação materna tem chamado a atenção dos amantes de filmes de suspense na Netflix. Se trata do mais novo sucesso da plataforma de streaming: “Fuja”, do diretor indo-americano Aneesh Chaganty. [Assista o trailer]

Lançado em abril deste ano, o filme tem disparado na lista dos dez mais assistidos no Brasil e, apesar da história sinistra, o que mais chama a atenção é a personagem da mãe Diane, interpretada pela brilhante Sarah Paulson, que se destaca pela bizarra quase devoção nos cuidados com a filha adolescente Chloe (Kiera Allen).

Chloe, que também é cadeirante, é - aparentemente- diagnosticada com as mais diversas doenças que podem existir no alfabeto e faz o uso diário de medicamentos dados por Diane. Porém, com o desenrolar da trama, a adolescente acaba descobrindo que as suas comorbidades são repletas de segredos.

É a partir do comportamento de Diane que ‘Fuja’ aborda um transtorno mental que existe na vida real, a chamada Síndrome de Münchhausen ou Transtorno factício imposto ao outro. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico das Doenças Mentais da Psicologia, o transtorno é caracterizado quando uma pessoa, geralmente um (a) cuidador (a), causa e/ou simula sintomas e doenças em outra pessoa, geralmente vulnerável, para obter atenção para si próprio.

Esses tipos de sintomas provocados a outra pessoa podem ser tanto psicológicos quanto físicos e incluem o surgimento de doenças sem motivo aparente, uso excessivo de medicamentos, indução a lesões e até falsificação de diagnósticos médicos. 

Caso real

Para ilustrar o transtorno, trouxemos um caso real que chamou atenção da imprensa norte-americana, o de Gypsy Blancharde, que, em 2015, foi presa por pedir ao namorado para matar a mãe dela, Clauddine Blanchard, conhecida como "Dee Dee". No tribunal, Gypsy alegou que passou mais de 20 anos em uma "farsa" criada pela mãe, que a dopava e dizia que ela tinha diversas doenças. Além disso, "Dee Dee" teria submetido a filha a passar por diversas cirurgias desnecessárias, inclusive, a aplicação de um tubo de alimentação na barriga de Gypsy.

Gypsy diz ter sido vítima de uma "fraude" criada pela mãe | Foto: Divulgação

Atualmente, Gypsy Rose cumpre pena em uma prisão em Missouri, nos Estados Unidos, e pode recorrer ao pedido de liberdade em 2024. 

Sentenciada pela morte da mãe, Gypsy só vai poder recorrer à liberdade condicional em 2024 | Foto: Reprodução/News Leader

Como a psicologia explica o transtorno?

Apesar de ser comum em referências de filmes, como no clássico "O sexto sentido (1999)" e na série "Objetos cortantes (2018)", o transtorno é raro e aparece em apenas 1% da população geral, conforme explicou o psicoterapeuta e doutor em Medicina e Saúde Humana, Ubton José Argolo Nascimento.

Ao Farol da Bahia, Ubton também informou como a Psicologia enxerga a doença. 
"Muito difícil encontrar uma explicação única na psicologia, pois trata-se de caso complexo, requerendo uma análise individualizada de caso a caso. O que precisamos ficar atentos é à percepção que o indivíduo tem do que aconteceu em sua vida pessoal e os recursos que este desenvolveu para lidar com isso. Tenho a impressão de que são capazes de se autoimpor sintomas de adoecimento físico ou impor a terceiros como forma de manipular a conduta de terceiros em favor próprio. O que sugere uma aproximação com as psicopatias, nesse sentido".

O especialista também aponta a "fraude" como o principal fator de identificação do transtorno. 

"Ao que me parece, a fraude é uma das marcas registradas desse transtorno: a pessoa que sofre desse transtorno se vê obrigada a criar uma realidade própria, exclusivamente dela, para sustentar uma situação que na realidade, fora criada, ficticiamente. Quando imposto a terceiros, ou seja, criar uma situação de adoecimento a terceiros, a vítima, na maioria das vezes sem condições de desdizer o fato, passa por uma situação abusiva, sendo utilizado pelo adoecido (transtornado) para imposição da farsa", completou o psicoterapeuta.


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