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Grupo de Vorcaro oferecia até R$ 2 milhões a influenciadores para fazer publicações contra o Banco Central, diz PF

Informações foram divulgadas durante nova fase da Operação Compliance Zero, lançada na quinta-feira (9)

Por Da Redação
Às

Grupo de Vorcaro oferecia até R$ 2 milhões a influenciadores para fazer publicações contra o Banco Central, diz PF

Foto: Reprodução

Uma organização criminosa associada ao banqueiro Daniel Vorcaro contratava influenciadores digitais, em ofertas que chegavam a R$ 2 milhões, para atacar o Banco Central nas redes sociais. É o que aponta relatório da Polícia Federal durante nova fase da Operação Compliance Zero, lançada na quinta-feira (9).

Durante a nova fase da operação, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda Silva, apontado pela PF como o principal articulador do esquema.

Conforme divulgado pela PF, o grupo buscava influenciadores e jornalistas com propostas de públicos publicar conteúdos favoráveis ao Banco Master e questionar a liquidação do banco pelo Banco Central.

Antes mesmo de saber do que se tratava, o contratado precisava assinar um acordo de confidencialidade. A multa por quebra de sigilo era de R$ 800 mil. O trabalho só seria revelado após assinatura do acordo 

A PF ainda pontuou que o grupo usava informações privadas, obtidas de forma ilícita, para intimidar e coagir quem não aderia ao projeto. 

Segundo a decisão, os pagamentos aos influenciadores eram feitos pelo próprio Thiago Miranda. Segundo Miranda parte dos recursos utilizados tinham origem da venda de uma fatia do portal de notícias Léo Dias, por R$ 3,5 milhões. Os valores eram repassados pela Super Empreendimentos e Participações, empresa de Vorcaro.

A PF acredita que os recursos eram advindos do esquema de fraudes financeiras do Banco Master. A corporação detalhou que, além de atuar na promoção do Master, a operação também vigiava quem incomodava os negócios do Master.

Miranda e Vorcaro discutiram estratégias contra a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, que cobria o caso Master. Foram levantados dados financeiros, familiares e patrimoniais dela com o intuito de constranger e desacreditar a jornalista.

Houve ainda pressão direta sobre jornalistas para derrubar reportagens. Quando um conteúdo saiu do ar, Miranda comemorou: "Mais um arquivado!"

Diante dos fatos evidenciados, André Mendonça autorizou a apreensão de documentos, celulares e dados em nuvem de Thiago Miranda, com afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telefônico. A PGR foi favorável às buscas.

Confira íntegra da defesa de Thiago Miranda

"Acerca dos fatos amplamente divulgados no dia de hoje, a defesa de Thiago Miranda vem a público refutar, de forma categórica, a prática de qualquer ilegalidade por seu constituinte.

Thiago Miranda sempre pautou sua atuação profissional pela legalidade, pela transparência, pelo respeito às instituições e pelo livre exercício da liberdade de expressão, não tendo praticado qualquer ato criminoso, tampouco participado de conduta destinada a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros.

A defesa esclarece que a existência de investigação em curso não autoriza qualquer juízo antecipado de culpa, devendo ser rigorosamente preservadas as garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e, sobretudo, da presunção de inocência. Thiago Miranda está inteiramente à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários, colaborar com a apuração dos fatos e demonstrar, no foro próprio, a absoluta regularidade de sua conduta.

Por fim, informa que a defesa acompanhará atentamente todos os atos do procedimento e adotará as medidas jurídicas cabíveis para assegurar que os fatos sejam apurados com equilíbrio, técnica e respeito às garantias legais, afastando-se conclusões precipitadas ou interpretações incompatíveis com a realidade."

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