Jaques Wagner e ACM Neto são citados em proposta de delação de ex-dono da Reag à PGR
Um dos anexos revela que o ex-prefeito de Salvador lucrou R$ 4,8 milhões com fundo gerido atrelado a consignados do Master

Foto: Farol da Bahia
A proposta de delação premiada entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR) por João Carlos Mansur, ex-dono da Reag Investimentos, cita o senador Jaques Wagner (PT) e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (UB), que também é candidato ao Governo da Bahia. As informações são da coluna Natália Portinari, do UOL.
No documento, que reúne 17 anexos detalhando suspeitas de crimes financeiros, Mansur relata que o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, pediu que ele comprasse ingressos para o show cantora Taylor Swift no Allianz Parque em 2023. Os bilhetes, avaliados em R$ 63,3 mil, foram usados para presentear Jaques Wagner.
À reportagem, a assessoria do petista explicou que a compra foi "um pedido pessoal do senador a um amigo para que o ajudasse a conseguir os ingressos", mas que ele "não conhece João Carlos Mansur e nunca teve relação com a empresa Reag".
Já sobre ACM Neto, em um outro anexo aponta que ele é dono exclusivo do fundo Seattle 95, gerido pela Reag até 2025. Através dele, o candidato teria aplicado cerca de R$ 4,8 milhões no fundo Structure, lastreado em empréstimos consignados originados pelo Banco Master.
As aplicações do Seattle foram feitas em quatro compras entre novembro de 2021 e julho do ano passado. Em fevereiro de 2023, o fundo chegou a ter 98,6% de todo o patrimônio nessa única aplicação.
ACM Neto aportou R$ 7,92 milhões no fundo em dez depósitos. Em outubro do ano passado, o patrimônio havia alcançado R$ 11,94 milhões, um ganho de R$ 4,01 milhões, com rendimento médio de 17% ao ano, muito acima de investimentos tradicionais.
Até então, a relação entre o candidato ao governo baiano era a de prestador de serviços através da sua empresa a A&M Consultoria, que recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag entre o fim de 2022 e maio de 2024, segundo relatórios do Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras].
Além do Master, a Reag também foi liquidada pelo Banco Central, em janeiro deste ano, por violações às normas do sistema financeiro. Antes disso, a gestora havia sido alvo da Operação Carbono Oculto, que apurou o uso de seus fundos para lavagem de dinheiro do crime organizado, e da Operação Compliance Zero, sobre as fraudes do Master.
Procurado pela coluna, Neto disse ser cotista do fundo de investimentos Seattle, "criado no final de 2021 por meio do aporte de recursos próprios de origem declarada e lícita".
"Para cumprimento das regras da CVM, o fundo contratou a Reag Investimentos como administradora desses recursos. O fundo, portanto, era cliente da Reag, à época uma das principais administradoras de fundos do país. A rentabilidade obtida pelo fundo foi completamente compatível com a realidade de mercado e todos os impostos foram devidamente recolhidos. Tudo transcorreu com total transparência, com dados públicos e regulados pela CVM, na mais absoluta legalidade", informou em nota ao UOL.
A proposta de delação de Mansur ainda não foi formalmente assinada ara ser enviada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo caso.


