"Não queremos decisões precipitadas", diz CNI sobre possível retaliação à tarifas dos EUA
Presidente da CNI defende negociação

Foto: Divulgação / FIEB
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) se pronunciou nesta quinta (23) sobre a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Ricardo Alban, presidente da CNI, defendeu que a prioridade será manter um diálogo com os EUA e construir uma política permanente para fortalecimento da inserção da indústria brasileira no mercado internacional. As declarações foram dadas após uma reunião com Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Sobre a nota divulgada pelo governo brasileiro, informando que a Lei da Reciprocidade Econômica será adotada, Alban disse que acionar a lei não significa que a norma é aplicada imediatamente.
"O que nós não queremos criar é decisões precipitadas que propiciem mais problemas do que soluções", disse.
O presidente da CNI disse ainda que os mecanismos de defesa comercial são legítimos desde que sejam considerados impactos nas cadeias produtivas e que seja mantido espaço para uma solução encontrada através de negociações. Ele informou que a entidade encaminhou uma carta ao presidente americano, Donald Trump, solicitando que sejam mantidos os diálogos.
Alban disse que serão necessárias medidas emergenciais para oferecer suporte à empresas. O governo federal havia anunciado na última quarta (22) um programa de financiamento para áreas afetadas pelo tarifaço de 25%.
Segundo Alban, a nova tarifa de 12,5% ainda deve ser detalhada, para averiguar quais setores serão afetados, quais produtos estarão isentos das taxas e se as tarifas são acumulativas. Ele afirmou que um grupo de trabalho será criado, para reunir os setores que forem mais afetados e buscar mercados alternativos.
O presidente da entidade avaliou ainda que se a tarifa for somada ao tarifaço anterior de 25%, a competitividade dos produtos brasileiros será ainda mais prejudicada. Alban diz que parte das exportações atingidas incluem operações entre empresas instaladas nos EUA e Brasil, o que também pode afetar a indústria americana.
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