Novo estudo aponta que casos graves estão ligados a um sistema imune 'exausto

Os dados indicam perda da capacidade de resposta de células linfócitos T na Covid-19 grave

[Novo estudo aponta que casos graves estão ligados a um sistema imune 'exausto]

FOTO: Pixabay

A Covid-19 grave está associada à exaustão e envelhecimento do sistema imunológico, afirma o estudo realizado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/ Fiocruz) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicado na revista científica Journal of Infectious Diseases. 

O trabalho estudou o sangue de 22 pacientes internados com casos graves de Covid-19 e comparou com os coletados de pessoas saudáveis. O resultado foi o achado de sinais de hiperatividade, exaustão e envelhecimento de células como linfócitos T auxiliares. Segundo os cientistas, os dados indicam perda da capacidade de resposta dessas células na Covid-19 grave, o que pode facilitar reinfecções.

De acordo com o pesquisador do Laboratório de Imunoparasitologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC / Fiocruz), professor da Faculdade de Medicina da UFRJ e coordenador do estudo, Alexandre Morrot, os linfócitos T auxiliares são os "maestros" do sistema imune, conduzindo a produção de do reconhecimento de proteínas virais.

“Nos pacientes com Covid-19 grave, observamos que os linfócitos T CD4 [auxiliares] estão em estágio final de diferenciação, blocos de exaustão e senescência. São células que perderam a capacidade de expansão clonal, ou seja, não vão se multiplicar ao entrar em contato com as proteínas virais e não vão conseguir comandar uma resposta imunitária eficiente “, afirma o imunologista.

Segundo o pesquisador, o quadro pode ser aproveitado como um estado de imunodeficiência aguda. A queda na imunidade deixa as pessoas mais vulneráveis ??para outras doenças, como as pneumonias bacterianas, que são comuns em pacientes hospitalizados por Covid-19. 

Esse problema também ajuda a explicar o alto número de reinfecções por Covid-19, o que surpreendeu cientistas. Isso porque infecções virais agudas costumam produzir uma memória imunológica forte, que evita, por exemplo, que a mesma pessoa contraia sarampo ou catapora duas vezes.

Além da presença de moléculas selecionadas como marcadores de senescência e exaustão nos linfócitos T auxiliares, há a presença também de altos níveis de substâncias inflamatórias liberadas por essas células no soro dos pacientes.

Segundo os cientistas, os dados indicam um processo de hiperativação, que leva os linfócitos ao estágio final de diferenciação celular, eliminado em exaustão e envelhecimento do sistema imunológico.

“Tudo isso reforça a importância de terapias anti-inflamatórias, voltadas para controlar a resposta imune exagerada, que é uma vilã na Covid-19 “, comenta Morrot.


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