Operação contra Jaques Wagner estabelece dilema a Lula antes de campanha

Wagner é líder do governo no Senado

Por Da Redação
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Operação contra Jaques Wagner estabelece dilema a Lula antes de campanha

Foto: Ricardo Stuckert/PR | Alessandro Dantas/Agência Senado

A operação da Polícia Federal (PF) contra Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado, abriu uma crise e um dilema ao presidente Lula (PT), menos de dois meses antes do início da campaha eleitoral.

Parte dos aliados do presidente defende que Wagner deixe a liderança do partido, como forma de distanciar o caso Master da imagem de Lula. 

O caso Master, antes associado ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), após revelações de relações entre ele e Daniel Vorcaro, agora se aproxima da base governista. O temor é que o possível envolvimento de Wagner com o Master impacte a campanha de reeleição.

A base governista avalia que a ação da PF contra Jaques Wagner pode dar munição à oposição. Outro ponto é o receio de que Wagner permanecendo na liderança pode enfraquecer o discurso de combate ao crime organizado adotado pelo governo. 

Aliados costumam ressaltar que a quebra dos esquemas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do caso Master ocorreram durante a atual gestão.

Wagner, porém, resiste deixar o cargo de líder no PT. Em entrevista à BandNews, ele afirmou que sua pré-candidatura à reeleição está mantida e que recebeu apoio de Lula.

"O presidente Lula ligou pra mim pra se solidarizar, dizer que mantém absoluta confiança. Temos uma relação de mais de 40 anos, portanto sabe meu jeito de agir. Se eu tivesse qualquer esquema fora do permitido, seguramente todo mundo saberia. Ele só ligou para dizer: ‘Fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança'", disse, na ocasião.

Lula ainda não comentou publicamente sobre o caso. Durante agenda em Minas Gerais, nesta sexta (19), o presidente fez sinal positivo com o polegar após ser questionado se Wagner segue a liderança do governo no Senado.

A oposição já utiliza a nova fase da operação para desgastar a campanha de reeleição do petista. Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula nas eleições e que anteriormente foi alvo de críticas por relações com Vorcaro, publicou um vídeo associando o petista ao caso. "Lula é Master e Master é Lula", escreveu.

Enquanto isso, Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados, afirmou que "Vorcaro começou tudo com o PT da Bahia, as a tática deles é sempre a mesma: tentar enlamear os outros com a própria lama. Onde tem PT, tem corrupção com dinheiro público".

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