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Trump adia planos de reduzir tarifas sobre carne importada nos EUA, diz jornal

A mudança se somaria à redução de um imposto federal cobrado sobre combustíveis

Por FolhaPress
Às

Trump adia planos de reduzir tarifas sobre carne importada nos EUA, diz jornal

Foto: Official White House Photo by Abe McNatt

FELIPE MENDES 

O governo Donald Trump adiou os planos de reduzir as tarifas de importação de carne bovina para diminuir o preço do produto nos Estados Unidos, segundo reportagem publicada pelo jornal The Wall Street Journal nesta segunda-feira (11).

Pessoas a par do assunto haviam dito anteriormente à publicação que o presidente dos EUA poderia fazer o anúncio ainda nesta segunda. No entanto, horas depois, um funcionário da Casa Branca disse ao jornal que as ações foram adiadas enquanto o governo finaliza os detalhes.

O adiamento também ocorreu após protestos de alguns republicanos do Congresso e de pecuaristas. A mudança, discutida em meio às preocupações do governo americano sobre a alta nos preços, se somaria à redução de um imposto federal cobrado sobre combustíveis, medida que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso.

Se a proposta avançar, deve fortalecer a operação das companhias brasileiras que exportam para os EUA, sobretudo JBS, MBRF e Minerva. Além disso, o Brasil poderia diminuir a dependência do mercado chinês, que representa 48,1% do volume de carne bovina exportado, segundo números da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadores de Carne) com base no desempenho de abril.

As exportações brasileiras de carne bovina somaram 288,7 mil toneladas em abril, segundo a Abiec. Os Estados Unidos aparecem como o segundo principal destino da carne brasileira, com 42,4 mil toneladas embarcadas no período, menos de 15% do volume exportado pelo Brasil.

"A necessidade de importação dos EUA hoje é muito ampla. É um país deficitário em produção de carne. Antes era um país exportador e hoje está assumindo uma dinâmica importadora", afirma Fernando Iglesias, coordenador de mercados da consultoria Safras & Mercado.

"Dessa forma, os frigoríficos brasileiros também iriam se beneficiar muito dessa situação e exportar volumes cada vez maiores com destino aos EUA, o que vai ajudar a reduzir a dependência que nós temos hoje em relação à China."

O WSJ afirma que a medida deve suspender a tarifa aplicada às compras que superarem as cotas de importação do produto. O Brasil passou a ter uma cobrança de 26% após superar 65 mil toneladas de carne exportadas aos EUA neste ano. O limite anual foi atingido logo em janeiro e, segundo dados do governo dos EUA, o Brasil exportou US$ 795 milhões do produto no primeiro trimestre, 21% a mais do que o registrado no mesmo período do ano passado.

A Abiec estima que, em 2024 e 2025, mais de 80% do volume brasileiro entrou já pagando essa tarifa porque o volume exportado ultrapassou muito a cota disponível. A medida, além de aumentar as importações de carne aos EUA, é vista como uma tentativa para reduzir o aumento dos preços do produto para o consumidor norte-americano. "O Trump perdeu muita popularidade por causa da guerra e das tarifas altas, que acabaram gerando um problema inflacionário nos Estados Unidos", afirma Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global.

Recentemente, a Abiec realizou agendas em Washington em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). O encontro, que celebrou 10 anos de exportações da carne bovina brasileira para os Estados Unidos, conectou empresas nacionais do setor com mais de 150 autoridades, parceiros e representantes da indústria americana.

Hoje, cerca de 50 plantas brasileiras são habilitadas a exportar para o país, segundo a Abiec. O governo Trump havia anunciado em 4 de maio a abertura de investigação sobre supostas violações de regras de concorrência na indústria de processamento de carne. O processo envolvia empresas brasileiras como a MBRF, dona da National Beef investigada pelo governo, e a JBS.

As ações das empresas brasileiras do setor nos EUA subiram após a publicação da reportagem do Wall Street Journal. Os papéis da Minerva fecharam em alta de 4,8%, as da JBS NV, em queda de 3,2%, enquanto as ações da Tyson Foods, maior empresa de carne dos EUA, em queda 1,9%.

Além da mudança na cobrança de impostos de importação, o governo avalia aumentar os empréstimos para pecuaristas dos EUA e alterar algumas exigências como o uso obrigatório de brincos de identificação.

O mercado chinês também se tornou um problema para as exportadoras brasileiras, já que o país asiático também inseriu uma cota à importação de outros países. O governo de Xi Jinping informou no sábado (9) que o Brasil atingiu metade da cota de exportação de carne bovina que pode entrar no país asiático com tarifa reduzida, de 12%. Quando o volume embarcado ultrapassar 1,1 milhão de toneladas o que deve acontecer em breve, a carne brasileira será taxada em 55%.

Para Jank, do Insper Agro Global, a implementação da cota chinesa poderá ser mais um fator para aumentar as exportações do Brasil para os EUA, o que pode ter um efeito inflacional para a própria China. "Se isso acontecer, a carne vai mais para os Estados Unidos. E aí pode ser que falte carne na China", diz ele. "A velha lei da oferta e demanda está funcionando. Quer dizer, se você não tem oferta suficiente no mundo e os países colocam restrições, o resultado disso é aumento de preço."

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