Vídeo: Câmera corporal mostra momento em que PM atira e mata mulher em SP
Soldado Yasmin Ferreira atirou durante discussão; ela foi afastada e teve a arma apreendida

Foto: Reprodução / TV Globo
A câmera corporal de um policial militar registrou o momento em que sua colega, a soldado Yasmin Cursino Ferreira, atirou em uma mulher durante uma discussão em São Paulo. O caso aconteceu na madrugada da última sexta (3).
O desentendimento iniciou quando o retrovisor da viatura da Polícia Militar (PM), bateu em Luciano Gonçalves dos Santos, esposo de Thawanna da Silva Salmázio, morta pela policial. Os agentes chegaram ao local durante uma perseguição a moto com suspeitos, que acabaram perdendo de vista.
Após o carro atingir Luciano, o soldado Weden Silva, que dirigia a viatura e registrou todo o momento com a câmera corporal, freia o carro e dá ré. Ele grita, e questiona o casal utilizando xingamentos.
"A rua é lugar pra você estar andando, c*?", diz Weden. Em resposta, Thawanna responde: "Com todo respeito, vocês que bateram em nós".
A soldado Yasmin Cursino Ferreira, que estava no banco do carona na viatura, sai do carro e vai em direção a Thawanna. Ela diz: "Você não aponta o dedo em mim não". Em seguida, é possível escutar o som do disparo pelas imagens da câmera corporal.
Weden estava discutindo com Luciano e não conseguia ver Thawanna ou Yasmin no momento do disparo. Ao escutar o som, o oficial questiona: "Cê atirou nela?". Yasmin justifica afirmando que Thawanna havia dado um tapa em seu rosto.
A câmera corporal registrou também a demora na chegada do socorro, que levou 30 minutos. Posteriormente, outros policiais chegam ao local, antes do resgate. Os agentes envolvidos cobram o socorro com ligações ao menos duas vezes. Thawanna não resistiu e morreu no hospital. Ela tinha 31 anos e deixa uma filha de 5 anos.
Yasmin ainda não tinha câmera corporal porque era novata e ainda não havia recebido senha para operar o equipamento.
Após o ocorrido, é possível escutar Weden consolando a colega. "Relaxa, agora já foi", diz.
Foi instaurado um inquérito para investigar o companheiro de Thawanna, Luciano, que é servente de pedreiro. Ele responderá por resistência. Yasmin, de 21 anos, que atirou em Thawanna, consta como vítima.
Segundo os policiais, Luciano teria desobedecido ordens e gritado contra eles. já Luciano, contou em depoimento que a viatura passou em alta velocidade pela rua, quase atingindo o casal. Disse também que não houve abordagem e que a polícia desceu da viatura atirando.
No momento em que Thawanna foi baleada, Luciano pensou que o disparo teria sido de munição não letal, e tentou colaborar com os policiais. Ele colocou no chão uma bolsa e tirou a blusa que estava vestindo. Ele afirma que tinha o objetivo de demonstrar que não oferecia risco, mas ainda sim, os policiais teriam usado spray de pimenta.
Em depoimento, Yasmin afirmou que o casal estava discutindo no meio da rua quando a viatura passou pelo local. Segundo ela, Luciano teria "esbarrado o braço" no carro e que o casal começou a gritar. Ela afirmou também que os dois apresentavam sinais de embriaguez e que o homem precisou ser contido pois estava "gesticulando de forma agressiva".
Weden e Yasmin foram afastados preventivamente da corporação. A arma da soldado foi apreendida e a PM apura a conduta dos dois. O caso também é investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa.
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