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"Vou trabalhar e não acho justo abandonar por uma ofensa ou por uma vaia. Aí é para gente fraca, gente que desiste muito fácil", diz Ceni

Treinador do Bahia desabafa após novo tropeço, fala sobre protestos da torcida e garante seguir no comando do Tricolor.

Por Samara Figueiredo
Às

"Vou trabalhar e não acho justo abandonar por uma ofensa ou por uma vaia. Aí é para gente fraca, gente que desiste muito fácil", diz Ceni

Foto: Rafael Rodrigues / EC Bahia

O técnico Rogério Ceni concedeu uma entrevista coletiva marcada por desabafos após o empate em 1 a 1 entre Bahia e Grêmio no último domingo (17), na Arena Fonte Nova, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. Em meio a protestos antes, durante e depois da partida, o treinador comentou a má fase da equipe, defendeu o trabalho realizado e afirmou que não pretende deixar o cargo.

Horas antes do jogo, torcedores organizados protestaram nos arredores da Fonte Nova com faixas cobrando mudanças no clube e pedindo a saída do treinador. Durante a partida, parte da torcida permaneceu em silêncio por cerca de 25 minutos e voltou a entoar gritos contra Ceni ao fim do confronto.

Na coletiva, o treinador afirmou compreender a revolta do torcedor, principalmente após a eliminação para o Remo na Copa do Brasil, mas destacou que o momento ruim também afeta o elenco e a comissão técnica. "Eu entendo a tristeza do torcedor porque a gente também carrega essa tristeza. Hoje, mais uma vez, foi um jogo em que criamos oportunidades suficientes para vencer. Já tinha sido assim contra o Remo. É frustrante para eles e para nós. Eu gosto muito do clube, gosto muito de trabalhar aqui e acho um espetáculo trabalhar em um estádio como esse, com uma torcida que comparece e apoia."

Ceni também lamentou o momento vivido pela equipe e reconheceu o peso da eliminação na Copa do Brasil. "A eliminação para o Remo pesou bastante. A derrota por 3 a 1 aqui mudou muito o ambiente. A análise no futebol sempre é feita pelo resultado final. Hoje, eu acho que fizemos um jogo muito bom, até melhor do que em algumas partidas que vencemos, mas a bola não entra. É um momento difícil para todos."

Questionado sobre a possibilidade de o trabalho ter chegado ao limite no Bahia, o treinador rebateu e afirmou que vê evolução no desempenho da equipe, apesar da sequência sem vitórias. "Se o meu limite for criar sete, oito chances claras de gol e a bola não entrar, então esse é o limite. O que eu não consigo controlar é a bola entrar ou não. Nós produzimos, dominamos boa parte dos jogos, criamos oportunidades. Contra o Remo tivemos gols anulados, bolas na trave, chances claras. Hoje novamente criamos bastante. Eu trabalho todos os dias, me dedico completamente ao clube."

O treinador ainda detalhou a rotina de trabalho no CT Evaristo de Macedo e reforçou o comprometimento com o Bahia. "Eu entro cedo, saio tarde, assisto treino, estudo adversário, monto treinamento, faço reuniões com jogadores e funcionários. Eu gosto do que faço. Em 36 anos de carreira, se tem uma coisa que nunca fui é acomodado. Eu nunca tive preguiça de trabalhar."

Ao falar sobre as críticas recebidas da torcida, Ceni fez uma reflexão e afirmou que não pretende abandonar a profissão por conta das cobranças. "Você abandonaria a profissão que ama porque alguém te ofendeu? Eu não vou abandonar aquilo que amo fazer por causa de vaia. Claro que não é agradável, ninguém gosta de ser xingado, mas eu entendo o torcedor. O ingresso é caro, ele vem ao estádio esperando ver o time vencer. Só que eu também sei o quanto trabalho e acredito no que faço."

O treinador ainda pediu apoio da torcida para a sequência da temporada e afirmou que os jogadores sentem o ambiente criado nas arquibancadas. "Gostaria muito que o torcedor apoiasse durante os 90 minutos. O jogador sente. Trabalhar sob vaia é sempre mais difícil. Mas eu entendo a cobrança porque o resultado não vem. O que eu posso prometer é trabalho. Enquanto eu enxergar que o time produz para vencer os jogos, eu vou continuar lutando."

Com o empate diante do Grêmio, o Bahia chegou ao sétimo jogo consecutivo sem vencer na temporada. O Tricolor ocupa momentaneamente a parte de cima da tabela, mas segue pressionado pela sequência ruim e pelo ambiente de tensão criado após a eliminação na Copa do Brasil.

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