Wagner diz que perdeu parte de terreno milionário para a Via Metropolitana e abriu mão de indenização
Lote foi comprado pelo senador em 2000, a R$ 28 mil, e negociado no mês passado, a R$ 15 milhões

Foto: Roque de Sá/Agência Senado
O senador Jaques Wagner (PT) declarou, nesta sexta-feira (24), que perdeu parte de seu terreno em Camaçari avaliado em R$ 15 milhões para a construção da Via Metropolitana. Além disso, de acordo com o petista, ele abriu mão da indenização a que tinha direito por isso.
"Dá até vontade de rir, porque o terreno talvez tenha sido a única obra feita na Bahia para benefício dos baianos que não teve paga desapropriação", disse, em entrevista à rádio Andaiá FM. "A estrada passou pelo traçado que os engenheiros acharam melhor, cortou lá um pedaço do terreno e eu digo: 'não vou cobrar nenhuma desapropriação'."
Segundo a Folha de S.Paulo, o lote foi comprado por Wagner a R$ 28 mil, em 2000, e negociado por R$ 15 milhões, no último dia 19 de junho. Na entrevista à Andaiá FM, o senador disse que é "óbvio que tudo se valoriza em 26 anos", ao comentar a valorização ocorrida ao longo desses 26 anos, correspondente a 11.400%.
A transferência do terreno foi barrada em 25 de junho, por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em decorrência da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades relacionadas ao Banco Master, Mendonça impôs a Wagner restrições sobre atividades econômicas, incluindo o bloqueio de contas, bens e valores.
A Via Metropolitana foi projetada em 2011, durante o mandato de Wagner como governador; em 2014, foi assinado o aditivo contratual que permitiu a obra; em 2015, já no governo Rui Costa (PT), as obras tiveram início; em 2018, a via, que recebeu um investimento de R$ 220 milhões, foi inaugurada.
O terreno negociado pelo atual senador integra a área onde será construído o Lagoons, condomínio residencial de alto padrão anunciado como o primeiro do país a ser integrado com um centro de treinamento de futebol. O empreendimento é desenvolvido pelo City Football Group, controlador majoritário da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Bahia, em parceria com a QPC Incorporadora e o Grupo Terere. A Lagoons Empreendimentos é a empresa responsável pelo projeto imobiliário.
Além do terreno, o STF suspendeu a venda de um apartamento de Jaques Wagner no Corredor da Vitória, em Salvador, negociado por R$ 10 milhões. Juntas, as transações totalizam R$ 25 milhões. Na eleição de 2018, o senador declarou patrimônio de R$ 3,3 milhões à Justiça Eleitoral.
Em nota à Folha, a Lagoons Empreendimentos afirmou que "trata-se de uma negociação realizada décadas antes da concepção do empreendimento Lagoons e, portanto, sem qualquer relação com o projeto atualmente em desenvolvimento". Declarou ainda que "são operações distintas, realizadas em contextos temporais diferentes e em estrita observância à legislação".
Na última terça-feira (21), o senador foi intimado pela Polícia Federal (PF) a prestar, em 7 de agosto, na investigação sobre o Banco Master. Ele nega irregularidades.
Relembre a operação
Durante a nona fase da Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão contra o parlamentar, acusado de receber propina do Master ao ganhar do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco, um apartamento na capital avaliado em R$ 2,5 milhões.


