Assim como Dietrich Banhoeffer, pastor luterano, preso e enforcado pela Gestapo durante a Alemanha nazista, combateu o regime estúpido de Hitler, nós brasileiros, temos uma gama infinita de fatos e horrores que não nos permitem ignorar, ou mesmo minimizar, e que vem se passando em nosso país, durante a ditadura judiciária, instalada por Lula da Silva e Alexandre de Moraes. Não é preciso enumerar os escândalos e os crimes cometidos contra as liberdades e os direitos humanos em nosso país, todos eles sobejamente conhecidos e comparáveis ao que aconteceu no fascismo e no nazismo.
O intrigante é que esses crimes são assimilados por uma boa parte da população e denotam uma estupidez difícil, às vezes, de interpretar e compreender, não fossem os estudos que Banhoeffer e Carlos Cipolla elucidarem com clareza e sem deixar dúvidas.
Banhoefer, inconformado com o que via desenrolar-se no regime nazista, chegou à lúcida conclusão de que apoiar a estupidez cometida por boa parte do povo germânico não era uma questão de inteligência ou de pertencimento a uma determinada classe social.
A estupidez nazista deu no que deu!
A estupidez é superior à malícia ou maldade consentida. Esta está presente na consciência, enquanto a estupidez é a repetição de uma ideologia concebida de fora da pessoa, que a faz repetir sem pensar os slogans e a estupidez de certos discursos. O êxito dos regimes totalitários consiste no julgamento que dele fazem os cidadãos não se originam em seu poder crítico, mas no pensamento único promovido pelo próprio regime.
A ideologia, nestes casos, infiltra-se na consciência, invadindo o espaço do pensamento livre. Os fatos desaparecem e são substituídos pela narrativa construída pelo poder dominante, como tantas vezes Lula da Silva tem profligado.
Esse panorama ideológico se instala em ambientes de massas, onde não se distinguem o sábio do ignorante, pelo contrário os igualam, sequestrando a autonomia das pessoas e as reduzindo ao controle absoluto por parte do poder dominante.
O estúpido, segundo o historiador italiano, Carlo Cipolla, na maioria das vezes, forma uma maioria que termina por estabelecer pesados prejuízos para os outros, principalmente nos campos moral, econômico e político, sem, contudo obter benefícios para si próprio, senão manter no poder os seus verdadeiros inimigos. O estúpido é um indivíduo que se comporta de modo destrutivo, para si e para toda a nação.
A Nação, assim, é submissa à estupidez. Depende dela conformar e deformar a sua fisionomia e, desse modo, vai perdendo a sua verdadeira substância. A estupidez espera obter uma consequência que nunca virá, pois tudo o futuro será moldado nas regras totalitárias do pensamento único.
Cipolla insiste em afirmar que a pessoa estúpida é perigosa porque não tem consciência de que é estúpida. Pratíca a estupidez com fervor e desenvoltura. Diz Cipolla: “o estúpido não sabe que é estúpido. Isso contribui para dar maior força, incidência e eficácia à sua ação devastadora. O estúpido não é inibido pela autoconsciência”.
Este problema da estupidez é, claramente, o mais alarmante que temos como Nação. Compete a esta geração equaciona-lo e resolve-lo. Não há outro caminho que não seja o da educação.
Franz Kafka tem razão ao nos assegurar que “o problema do mundo é que os inteligentes estão cheios de dúvidas, e os estúpidos estão cheios de confiança”.



