O Brasil vem acumulando, a cada dia que passa, mais evidências de que deixou de ser uma Nação pacífica, amante da paz e da estabilidade diante do concerto internacional, para torna-la um centro irradiador de conflitos e desentendimentos. O desconforto que nos atinge vem da sucessão de fatos que comprovam sobremaneira esta evidência.
Acabamos de amargar a suspensão do visto da nossa Embaixadora em Washington, acontecimento histórico inédito durante estes mais de 250 anos de relações com os Estados Unidos, a maior democracia do mundo ocidental. Não faz muito tempo que passamos a ser considerados “persona non grata” pelo Estado de Israel, criado aos auspício de nossa inteligente diplomacia do pós guerra, em razão do crime hediondo, cometido pelo atual presidente da República ao comparar acontecimento hodiernos com o assassinato de mais de seis milhões de judeus pelos nazismo de Adolf Hitler. Recentemente, assistimos pasmos a denúncia explicita, formulada pelo presidente da República Argentina, Javier Milei, segundo a qual o presidente do Brasil era “ladrão e corrupto”, julgado pela Justiça brasileira e descondenado, através de artifícios formais, pela suprema corte. Há poucos dias, fomos obrigados a assistir aos protestos diplomáticos da vizinha república do Paraguai, a ponto de chamar o nosso embaixador naquela país, a fim de que se retratasse do que consideraram uma injúria cometido pelo presidente brasileiro, ao afirmar que os paraguaios tinham, no passado, invadido o Brasil. Durante as discussões relacionadas a guerra em se enfrentam Rússia e Ucrânia, o presidente brasileiro, entre outras aleivosias, considerou que os dois países beligerantes tinham culpabilidade idênticas, quando, em verdade, a Rússia figura como invasor do país vizinho.
Me alongo nessas considerações porque elas retratam não apenas uma ruptura de nossas tradições, mas também revelam os despropósitos de uma política externa errática e equivocada, cuja culminância é o confronto que se agrava dia a dia com um aliado tradicional, cujas vantagens, uma vez tratadas com o rigor necessário e adequado aos nosso interesses estratégicos, poderão, nesta nova conjuntura do mundo, trazer grandes benefícios ao nosso desenvolvimento.
A suspensão do visto diplomático à nossa Embaixadora nos Estados Unidos representa uma crise diplomática, capaz de nos conduzir à um conflito mais sério, na medida que a potência norte-americana não pretende conviver com o “Foro de São Paulo” e suas políticas antidemocráticas no nosso hemisfério. É bom lembrar que o governo americano sinalizou com algo mais grave e quiçá duradoura, consistente na prorrogação por mais um ano da “emergência nacional” relacionada ao Brasil, ao afirmar que o governo brasileiro e seu sistema de justiça promovem a perseguição política ao ex-presidente do Brasil e ao conservadores brasileiros.
De setembro de 2025 a nossos dias, a CNN brasileira coletou cerca de trinta e cinco ofensas pessoais de Lula da Silva dirigidas a Donald Trump, considerando-as apenas o pano de fundo de um conflito mais amplo, que se estende, como disse o ex-embaixador do Brasil nos EUA, Rubens Barbosa, “nenhum outro país desafia os Estados Unidos como o Brasil”. Lula tem reiterado que não quer a guerra, mas não deixa de alertar que “defende o reforço militar para não ser pego de surpresa”.
O que tal advertência significa? Não sei. Não creio que seja um desafio verdadeiro à maior potência militar do mundo. Afinal, o seu ministro da Defesa, José Múcio, já disse para os que tem juízo: “é melhor abrir o portão”.
- Home/
- Colunistas/
- Marcelo Cordeiro /
- ABRIR O PORTÃO
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:[email protected]
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos



