Muita gente me pergunta como eu classifico os indicadores de desempenho. Existem algumas classificações possíveis, como monetários e não monetários, curto prazo e longo prazo, stakeholders e shareholders. Outros classificam em indicadores de liquidez, alavancagem, atividade, rentabilidade, margem, dentre outros.
Nas minhas aulas, eu faço uma dinâmica em que o participante tem que “ligar os pontos”. Isto é, associar os indicadores com os diferentes objetivos e intenções e, por fim, eu os estimulo a classificar esses indicadores em dimensões, conforme segue:
• Eficiência: geralmente tem como base a DRE, comparando os diferentes lucros e despesas, como porcentagem da receita. Esses indicadores são úteis para quem está buscando melhorar a eficiência da empresa.
• Ciclo de Caixa: relacionados à gestão dos prazos médios e gestão do working capital (capital de giro). Úteis para quem precisa reduzir a Necessidade de Capital de Giro.
• Rentabilidade: relacionados à gestão do capital empregado de forma ampla, e onde há uma preocupação com rentabilidade desse capital. Úteis se sua empresa busca melhorar a rentabilidade e criar valor de curto prazo.
• Valuation: relacionados ao valor de longo prazo da empresa. Nestes, eu incluo receitas (principalmente para start-ups) e indicadores não monetários focados mais em stakeholders, que sinalizam o longo prazo da empresa. Úteis para quem quer criar valor de longo prazo.
• Riscos: todos relacionados a endividamento, liquidez e os que impliquem em possíveis mudanças abruptas no lucro e no caixa futuros. Úteis para balancear o conflito entre a busca de criar valor de curto e de longo prazo.
Na figura abaixo, eu sintetizo todos eles, sem a pretensão de exauri-los.
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A principal lição que fica é aquela máxima: "diga-me como sou medido e eu lhe direi como vou agir". Portanto, comece identificando os objetivos empresariais e escolha os indicadores alinhados. Preferencialmente, atrele-os à remuneração variável dos executivos. Não confie somente em um único indicador e declare sempre os princípios que nortearam a escolha, pois os indicadores podem ser imperfeitos (veja o texto que escrevi sobre isso https://www.faroldabahia.com.br/coluna/a-imperfeicao-dos-indicadores-de-desempenho-parte-2).
Indicadores são iguais a pneus, tem que estar alinhados e balanceados.
José Carlos Oyadomari (PhD.). Sócio da True Port Advisors (M&A). Consultor e conselheiro de empresas. Professor desde 1983, atualmente leciona no Insper e no Mackenzie. Possui mais de 40 anos de experiência empresarial nas áreas de controladoria e contabilidade gerencial. Atua sempre com foco em melhorar a Rentabilidade e a Governança das empresas. Coautor do livro Contabilidade Gerencial (Gen Atlas). Instagram: @prof.oyadomari. Site: https://oyadomari.pro.br.



