Denúncia aponta gasto superior a R$ 47 mil com “2 mil copos” pela Secretaria de Educação; Prefeitura nega
Pelo valor total destinado a compra, cada unidade do copo sai pelo preço de R$ 23,60, considerado alto para o material

Foto: Reprodução
A Prefeitura de Salvador autorizou o pagamento de R$ 47,2 mil em duas mil unidades de copos descartáveis de papel biodegradável de 240 ml com orçamento de áreas da Educação, de acordo com informações publicadas no Diário Oficial do Município (DOM), no dia 19 de março.
A AFM [Autorização de Fornecimento de Material] foi assinada no dia 11 de março deste ano e detalha a contratação do fornecimento de duas mil unidades de copos com a empresa "Apolo Serviços Gráficos Ltda". Pelo valor total destinado a compra, cada unidade do copo descartável biodegradável sai por R$ 23,60, preço considerado alto para o material de consumo e descarte.
Conforme o DOM, a dotação orçamentária para o pagamento da compra foi retirada de: Gestão dos Centros Municipais de Educação Infantil - CMEI - Creche, Gestão da Unidades de Ensino Fundamental; e Gestão dos Centros Municipais de Educação Infantil - CMEI - Pré-Escola.

O Farol da Bahia cobrou explicações da Secretaria Municipal da Educação (SMED), que detalhou que a aquisição dos copos descartáveis é referente a embalagens contendo 40 unidades cada, sendo o valor de cada embalagem por R$ 23,60, o que corresponde a R$ 0,59 a unidade do copo.
Veja a nota na íntegra
"A Secretaria Municipal de Educação informa que a notícia veiculada contém informações equivocadas sobre a licitação mencionada. O processo refere-se à aquisição de copos descartáveis em embalagens contendo 40 unidades cada, conforme especificação constante no documento oficial. O valor unitário contratado é de R$ 23,60 por embalagem, o que corresponde a aproximadamente R$ 0,59 por copo. Foram adquiridas 2.000 embalagens, totalizando R$ 47.200,00.
Esclarece-se, ainda, que a licitação foi conduzida pela Secretaria Municipal de Gestão, por se tratar de item sistêmico, tendo o processo licitatório sido realizado em estrita observância à legislação aplicável. A correta compreensão das especificações é essencial para evitar interpretações equivocadas sobre os valores praticados".
Pais e estudantes denunciam falta de materiais e ausência de funcionários em escolas municipais
Nas últimas semanas, o Farol da Bahia publicou diversas denúncias de pais, responsáveis e alunos de escolas municipais que apresentaram diversos problemas em unidades escolares da capital baiana, entre eles a falta de fardamentos, merenda, materiais e ausência de professores e profissionais da limpeza.
Na Escola Municipal Nossa Senhora da Paz, no Bairro da Paz, os alunos estavam sendo liberados das aulas 1 hora mais cedo pela falta de funcionários e professores, problema que se estende há pelo menos um ano.
Em outra unidade escolar no mesmo bairro, pais e alunos da Escola Municipal Valdemar Bibiano da Silva realizaram um protesto na segunda-feira (13) para denunciar a falta de aulas e escassez de funcionários. Por causa dos problemas, os estudantes realizam rodízio de turmas por causa da quantidade de trabalhadores disponíveis para manter a escola em funcionamento.
A Escola Municipal Eraldo Tinoco Melo, no bairro de Sussuarana, também foi alvo de denúncia pela redução no quadro de funcionários, o que fez com que as turmas operassem em rodízio. No relato, uma mulher informa que o problema persiste desde o ano de 2025. "Os estudantes estão sendo prejudicados. Além de inaugurar escolas novas, vocês precisam olhar para as antigas, parem de ignorar os problemas e resolvam", escreveu.
Os mesmos problemas também são apontado por mães e pais de alunos da Escola Municipal 2 de Julho, localizada no bairro do Trobogy e da Escola Municipal Do Calafate, no bairro da Santa Mônica.
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