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Prefeitura anuncia implementação de 20 bebetecas antirracistas em escolas municipais de Salvador

Cada unidade de educação infantil receberá o valor de R$ 60 mil para estruturar espaços de leitura para crianças

Por Emilly Lima
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Atualizado
Prefeitura anuncia implementação de 20 bebetecas antirracistas em escolas municipais de Salvador

Foto: Emilly Lima/Farol da Bahia

O prefeito Bruno Reis (UB) anunciou, na manhã desta quinta-feira (3), que 20 escolas municipais foram selecionadas para implementação de bebetecas antirracistas em Salvador. Inicialmente, somente 10 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI) seriam contemplados com os recursos para estruturar espaços de leitura, mas o número foi ampliado.

Durante a agenda, que ocorreu na Sala de Reuniões do Gabinete do Prefeito, estiveram presentes a vice-prefeita Ana Paula Matos, o secretário municipal da Educação Thiago Dantas, gestores da educação e diretoras das 10 escolas previamente anunciadas como as escolhidas. 

No discurso, o prefeito relembrou a criação da primeira bebeteca antirracista o Brasil, na Creche e Pré-Escola Primeiro Passo Periperi, no Subúrbio Ferroviário, e pontuou importância da capital baiana ter mais espaços de combate à discriminação racial.

"A primeira bebeteca antirracista que nós implantamos tem sido um verdadeiro sucesso, então a gente cabe, como gestor, ampliar, disponibilizar os recursos e  apostar que é fundamental a gente poder criar essa consciência na cidade", disse.

"Eu tenho muito orgulho de dizer que todos, a maioria dos recursos, praticamente 90% dos recursos da nossa cidade são para as áreas mais carentes, com políticas públicas voltadas para as pessoas que mais precisam e ainda infelizmente essa é a realidade da nossa cidade, as pessoas que mais ainda precisam são as pessoas negras. Então, há uma necessidade de uma reparação, há essa necessidade permanente da implementação de políticas públicas, da ampliação de políticas públicas para a gente poder fazer essa transformação social que é o que nós desejamos", acrescentou Bruno Reis. 

Segundo a professora e gestora da Escola Municipal João Lino, Rita de Cássia Natividade dos Santos, destacou a importância de reconhecer que a discussão sobre raça é válida para enfrentar o racismo estrutural e o papel fundamental que a educação tem neste contexto. 

"Nós temos uma população que se autodeclara negra e isso é identidade racial. Isso é reconhecer a importância de discutir raça para o enfrentamento do racismo estrutural, para o enfrentamento das desigualdades sociais, para o enfrentamento de questões que precisam ser tratadas. E a educação tem um papel muito importante nesse contexto, tanto sim que somos direcionadas pelas leis 10.639 e alteradas depois para 11.645, que trazem a obrigatoriedade do estudo da cultura afro-brasileira indígena dentro da educação de forma transversal", disse a educadora. 

A Secretária Municipal da Reparação, Isaura Genoveva, também celebrou a instalação de novas unidades de bebetecas antirracistas na capital baiana. "Essas crianças que serão nosso futuro. Com elas que a gente precisa trabalhar para que a gente possa educar realmente a sociedade, para que se compreenda que o racismo é um crime e que não deve ser perpetrado mais nessa sociedade. Então, a alegria de estar aqui hoje e dizer a gente está no caminho realmente certo", pontuou. 

No evento, o gestor municipal entregou cheques simbólicos às diretoras das 10 escolas que inicialmente foram contempladas com o projeto. Cada uma receberá o valor de R$ 60 mil para implantação das bebetecas. Confira os nomes das escolas abaixo: 

Centro M. De E. Infantil Dep. Lourival Evangelista Costa (Subúrbio)
Centro M. De E. Infantil Unidos de Castelo Branco
Creche e Pré-Escola Primeiro Passo Cassange
Centro M. De E. Infantil de Amaralina
Centro M. De E. Infantil Olga Benário
Escola Municipal João Lino (Pelourinho)
Creche e pré-escola Primeiro Passo Nova Brasília
Centro M. De E. Infantil Álvaro Bahia
Centro M. De E. Infantil Yolanda Pires
Centro M. De E. Infantil Baronesa do Sauipe

Questionado pela imprensa sobre a adição de mais 10 escolas anunciadas por Bruno Reis, o secretário da municipal da Educação (Smed), Thiago Dantas, explicou que a prefeitura vai buscar as unidades que se credenciaram no edital, que estão na posição dois de cada gerência regional, e realizar o convite para que façam parte do projeto. 

"Nós fizemos um processo através de edital e esse edital tinha uma série de critérios, objetivos, que permitiu atribuir uma pontuação a cada uma dessas escola. Prezamos por um critério de equidade territorial, então inicialmente nós fizemos uma distribuição considerando a contemplação de pelo menos uma escola por cada gerência regional, para esse aspecto territorial ficar também bem endereçado. Agora, nós vamos buscar essas escolas que se credenciaram, que estão ali na posição número dois de cada gerencia regional, para fazer esse convite, para que elas se integrem ao projeto e possam também entender", disse.

Falta de representativa e descaso na educação

O anúncio das bebetecas antirracistas, feito pela primeira-dama de Salvador, Rebeca Cardoso, e pelo secretário Thiago Dantos, gerou polêmica acerca da ausência de pessoas negras no projeto. Nos comentários, internautas ressaltaram a falta de representatividade no time de gestão de Salvador. Entre as 24 secretarias municipais da capital baiana, apenas três são comandadas por pessoas negras:

• Secretaria Municipal da Reparação - Isaura Genoveva de Oliveira Neta
• Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude - Fernanda Lordelo
• Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas - Julio Santos

Além da falta de representatividade, os internautas também ressaltaram o descaso com a educação municipal de Salvador. Entre os pontos levantados, estão: obras que não foram concluídas, materiais didáticos que não foram entregues e a ausência de unidades na capital baiana.

Um dos casos citados foi o da Escola Municipal Metodista Susana Wesley, localizada no bairro da Boca do Rio, que teve parte da estrutura interditada para reforma e ampliação em 2023, mas até o momento não foi finalizada. A situação foi denunciada pelo Farol da Bahia.

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