Vídeo: Após 3 anos, prefeitura não termina reforma e alunos sofrem em escola da Boca do Rio
Sem placa de informações, obra de ampliação da Escola Municipal Metodista Susana Wesley apresenta diversas irregularidades, como infiltrações, alagamentos e infestação de ratos

Foto: Deivide Sena/Farol da Bahia | Reprodução / Google Street View | Reprodução/Redes Sociais
A Escola Municipal Metodista Susana Wesley, localizada no bairro da Boca do Rio, em Salvador, teve parte da estrutura interditada para reforma e ampliação em 2023. A promessa era que, até 2025, a obra fosse concluída e as atividades retomadas por completo. No entanto, mesmo após três anos, a unidade permanece parcialmente fechada.
Em vídeos publicados nas redes sociais, os vereadores Aladilce Souza (PCdoB) e Hamilton Assis (PSOL) denunciaram que a reforma na Escola Susana Wesley, que abriga quase 600 alunos, sendo cerca de 100 neurodivergentes, nos três turnos, está paralisada desde junho de 2025.
Em visita ao local, o Farol da Bahia não encontrou a placa com as informações da obra, que teria sido removida há cerca de dois meses.
Com a reforma e parte da unidade interditada, os alunos têm enfrentado diversos problemas, como a superlotação das salas de aula.
Ao Farol da Bahia, mães e responsáveis de estudantes da Escola Municipal Metodista Susana Wesley afirmaram que os intervalos e as aulas na quadra de esportes estão suspensos devido à obra [Confira no final da matéria].
"Meu filho tem três anos aqui na escola, não tem recreio. Desde quando iniciou aqui, não tem recreio de forma nenhuma. A obra aí iniciou, eles ficam botando desculpa, de que vai terminar, que vai terminar, não termina", declarou Sanandreia da Silva, mãe de um aluno da unidade.
Devido à reforma, os estudantes da Escola Municipal Metodista Susana Wesley também estão sendo liberados antes do horário previsto, como conta uma mãe que preferiu não se identificar:
"Está afetando a vida das crianças e dos pais também, porque, querendo ou não, têm que sair mais cedo, é um transtorno, a quadra não está pronta, e a estrutura da escola fica faltando muita coisa."
Em visita à unidade, os parlamentares constataram diversas irregularidades na ampliação da escola, como infiltrações, alagamentos e até uma infestação de ratos. A denúncia foi confirmada pelo Farol da Bahia. Segundo funcionários da unidade, uma das salas foi construída sem portas. Com isso, uma parede precisou ser quebrada.
Funcionários também pontuam que a empresa responsável pela obra teria abandonado a construção e que outras duas construtoras teriam se recusado a dar prosseguimento à obra por considerar que os recursos liberados pela Prefeitura de Salvador são insuficientes.
O Farol da Bahia entrou em contato com a Secretaria Municipal da Educação de Salvador (Smed) para esclarecer os pontos levantados, mas, até o momento da publicação desta matéria, não houve resposta.
Crise na educação
Nos últimos meses, a área da educação de Salvador tem enfrentado diversos problemas, como atraso na construção de escolas e o fechamento de outras unidades.
Um dos casos de maior repercussão é o da Escola Municipal do Curralinho, voltada para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que, mesmo quatro anos após ser anunciada pelo prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), ainda não foi entregue e estava com as obras paradas.
O Farol da Bahia acompanha o caso de perto. Em visita ao local onde a unidade está sendo construída, no último dia 2 de junho, foi encontrada parte da estrutura da escola, grama alta e restos de materiais para construção. No entanto, nenhum funcionário foi identificado.
A Prefeitura de Salvador chegou a cancelar o contrato com a Nordeste Engenharia, responsável pela obra, mas anunciou um novo contrato com a mesma empresa para finalizar a construção.
Outra polêmica foi o fechamento da Escola Municipal Paulo Mendes de Aguiar, localizada no bairro do Rio Sena, no Subúrbio de Salvador. A unidade foi alvo de discussões entre a prefeitura, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e a comunidade.
No último dia 25 de junho, a Secretaria Municipal da Educação anunciou o encerramento das atividades da Escola Municipal Paulo Mendes de Aguiar. O fechamento da unidade ocorreu mesmo após o Ministério Público da Bahia (MP-BA) recomendar a continuidade do funcionamento da escola.
Segundo a gestão, a permanência da escola dependeria do preenchimento de ao menos 40% das vagas disponíveis, o equivalente a 60 alunos. A unidade contava apenas com 17 estudantes matriculados.
No entanto, o Ministério Público havia apontado anteriormente que a queda no número de alunos foi influenciada pelo remanejamento de estudantes para escolas privadas vinculadas ao programa “Pé na Escola”, iniciativa investigada pelo Ministério Público Federal (MPF).
A ação levou a manifestações da comunidade do Rio Sena e, posteriormente, à determinação da Justiça da Bahia para a reabertura da unidade.
Na decisão, o juiz Walter Ribeiro Costa Júnior, da 1ª Vara da Infância e Juventude da capital, concedeu 15 dias para que a determinação seja cumprida. Caso haja descumprimento, o município poderá receber uma multa de R$ 10 mil por dia.
Em pronunciamento após a decisão, o Secretário Municipal da Educação de Salvador (SMED), Thiago Dantas, relembrou um acordo firmado com o Ministério Público anteriormente e rebateu as acusações de que os alunos teriam sido remanejados para escolas particulares através do programa "Pé na Escola".
"O que é importante dizer também, não fizemos nenhuma matrícula no âmbito do projeto Pé na Escola na região do Rio Sena. Então, repito, nenhuma matrícula no âmbito do projeto no Rio Sena aconteceu por intermédio da Secretaria Municipal de Educação", afirmou.
Confira o vídeo:


