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Quatro meses após mutirão que deixou 33 pacientes cegos, vítimas protestam e cobram respostas: 'Porque a justiça negou a prisão desses criminosos?'

Familiares denunciam demora nas investigações e na tramitação das ações judiciais

Por Da Redação, Uéditon Teixeira
Às

Atualizado
Quatro meses após mutirão que deixou 33 pacientes cegos, vítimas protestam e cobram respostas: 'Porque a justiça negou a prisão desses criminosos?'

Foto: Arquivo Pessoal

Quatro meses após o mutirão de tratamento de glaucoma realizado na Clínica Clivan deixar 33 pacientes com perda da visão, vítimas e familiares realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira (6), em Salvador, para cobrar respostas das autoridades e a responsabilização dos envolvidos. O ato ocorreu em frente à clínica na avenida Garibaldi e reuniu pacientes e familiares que convivem com sequelas permanentes enquanto aguardam o avanço das investigações e dos processos judiciais.

Entre as participantes do protesto estava a aposentada Maria Ribeiro de Brito, de 72 anos, que perdeu a visão do olho direito após o procedimento. Segundo a filha, Eronildes Brito, a mãe ainda enfrenta dificuldades para se adaptar à nova realidade e sofre diariamente com as sequelas deixadas pelo mutirão.


Arquivo Pessoal

"Minha mãe está cada dia mais triste. Ela fez cirurgia também no olho esquerdo em dezembro, mas a visão não ficou boa. Ela perdeu a visão do olho direito e reclama de dores constantes", afirmou.

Segundo Eronildes, o objetivo do protesto é cobrar celeridade nas investigações e dar visibilidade à situação enfrentada pelas vítimas, que, quatro meses depois do caso, ainda aguardam providências dos órgãos responsáveis.

"A gente não tem nenhuma resposta da Justiça. Depois da busca e apreensão realizada na clínica, nunca mais tivemos uma previsão de nada. É por isso que estamos aqui hoje, buscando respostas. E a gente fica aguardando que a justiça faça alguma coisa. É a nossa luta diária aí cobrando, a gente liga para os órgãos competentes, faz reclamação, cobra uma posição e a resposta que a gente que sempre nos dão é a mesma: o processo está em andamento", explicou.

Os pacientes cobram além de agilidade no proceso, medidas mais duras com os responsáveis pela perda de visão dos idosos: "Por que a justiça negou a prisão desses criminosos, baseado em quê?", revindica Eronildes.

Além da espera pela conclusão da investigação criminal, as vítimas também encontram dificuldades para buscar a Justiça. A advogada Eveline Santos, que representa parte dos pacientes em uma ação indenizatória, informou que uma decisão liminar chegou a ser concedida parcialmente, determinando a entrega de documentos relacionados aos pacientes, mas o processo não avançou porque a Clínica Clivan ainda não foi localizada para ser oficialmente citada na processo.

"Conseguimos uma decisão favorável, mas não estamos conseguindo citar a clínica. Encontramos um novo endereço vinculado ao CNPJ da empresa, além de outro na Avenida Garibaldi, porém também não foi possível realizar a citação. Agora vamos pedir que a Justiça oficie a Junta Comercial da Bahia e o Conselho Regional de Medicina para identificar onde estão os responsáveis pela clínica, já que o CNPJ continua ativo", explicou.

O que diz a polícia 


Ascom/PCBA


Procurada pelo Farol da Bahia, a Polícia Civil informou que o inquérito ainda depende da conclusão dos laudos periciais produzidos pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) sobre os materiais apreendidos durante a operação de busca e apreensão realizada em 20 de maio. Em nota, a PC afirmou que aguarda o recebimento dos laudos para concluir a investigação.

Já o Cremeb

Já o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que atualmente tramitam três denúncias, em fase de análise de admissibilidade, além de quatro sindicâncias relacionadas ao caso.

O órgão ressaltou que todos os procedimentos seguem sob sigilo, conforme previsto no Código de Processo Ético-Profissional, para garantir o direito ao contraditório e à ampla defesa. O conselho acrescentou que eventuais sanções públicas somente serão divulgadas após o trânsito em julgado.

O Farol da Bahia procurou também o Ministério Público da Bahia que até o fechamento desta matéria, não respondeu à reportagem. 

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