Mesas e cadeiras enferrujadas, sem material didático e alunos brincando na rua: pais denunciam abandono de escola municipal de Salvador
A Escola Municipal Comunitária da Histarte, localizada no bairro de Brotas, apresenta diversos problemas há anos

Foto: Arquivo Pessoal | Farol da Bahia
Pais e responsáveis de alunos da Escola Municipal Comunitária da Histarte, localizada no bairro de Brotas, em Salvador, denunciam problemas na estrutura da unidade, como a falta de livros e carteiras, além da ausência de uma quadra de esportes para os alunos.
De acordo com o site da Secretaria Municipal de Educação (Smed) de Salvador, a Escola Municipal Comunitária da Histarte possui capacidade para mais de 500 alunos do Ensino Fundamental e funciona nos turnos matutino e vespertino.
Ao Farol da Bahia, pais e responsáveis de estudantes da unidade relataram que a situação ocorre há anos e já foi pontuada pela gestão da escola à Smed, no entanto, até o momento, não foi resolvida.
Alcir Trabuco, de 50 anos, pai de um aluno do 7º ano da Escola Municipal Comunitária da Histarte, relatou que a comunidade escolar está, desde o ano passado, lutando para que a unidade seja reformada.
"Algumas salas têm falta de cadeira, de livros. As mesas do refeitório estão enferrujadas. A escola precisa de uma reforma urgente, desde o ano passado estamos brigando por isso, para colocar uma quadra", disse.
Ele evidenciou que, devido à ausência de uma quadra de esportes, os alunos da unidade precisam se arriscar na rua se quiserem brincar.
"Os meninos ficam arriscando a vida na rua, na frente da escola, brincando, e a diretora tem que ficar do lado de fora também", afirmou.
Joelma Santana, de 50 anos, que também é mãe de um aluno da unidade, pontuou que outras partes da escola necessitam de reforma, como parte do terreno, que ainda é de barro [confira o vídeo abaixo], e os banheiros.
"Cadeiras quebradas, mesas quebradas, sem quadra de esporte e o banheiro precisa de uma reforma, principalmente por ser um lugar de barro", disse.
O Farol da Bahia entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação para esclarecer os pontos da denúncia e solicitar um posicionamento. No entanto, até o momento da publicação desta matéria, não houve resposta.
Educação de Salvador
Nos últimos meses, a área da educação de Salvador tem enfrentado diversos problemas, como atraso na construção de escolas e o fechamento de outras unidades.
Um dos casos de maior repercussão é o da Escola Municipal do Curralinho, voltada para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que, mesmo quatro anos após ser anunciada pelo prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), ainda não foi entregue e estava com as obras paradas.
O Farol da Bahia acompanha o caso de perto. Em visita ao local onde a unidade está sendo construída, no último dia 2 de junho, foi encontrada parte da estrutura da escola, grama alta e restos de materiais para construção. No entanto, nenhum funcionário foi identificado.
A Prefeitura de Salvador chegou a cancelar o contrato com a Nordeste Engenharia, responsável pela obra, mas anunciou um novo contrato com a mesma empresa para finalizar a construção.
As obras para ampliação da Escola Municipal Metodista Susana Wesley, localizada no bairro da Boca do Rio, em Salvador, também foram abandonadas. A promessa era de que a unidade fosse entregue em 2025, mas, até o momento, a obra segue parada.
Em visita à unidade, foram constatadas diversas irregularidades como infiltrações, alagamentos e até uma infestação de ratos. Segundo funcionários da escola, uma das salas foi construída sem portas. Com isso, uma parede precisou ser quebrada.
Ao Farol da Bahia, mães e responsáveis de estudantes da Escola Municipal Metodista Susana Wesley afirmaram que os intervalos e as aulas na quadra de esportes estão suspensos devido à obra.
Outra polêmica foi o fechamento da Escola Municipal Paulo Mendes de Aguiar, localizada no bairro do Rio Sena, no Subúrbio de Salvador. A unidade foi alvo de discussões entre a prefeitura, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e a comunidade.
No último dia 25 de junho, a Secretaria Municipal da Educação anunciou o encerramento das atividades da Escola Municipal Paulo Mendes de Aguiar. O fechamento da unidade ocorreu mesmo após o Ministério Público da Bahia (MP-BA) recomendar a continuidade do funcionamento da escola.
Segundo a gestão, a permanência da escola dependeria do preenchimento de ao menos 40% das vagas disponíveis, o equivalente a 60 alunos. A unidade contava apenas com 17 estudantes matriculados.
No entanto, o Ministério Público havia apontado anteriormente que a queda no número de alunos foi influenciada pelo remanejamento de estudantes para escolas privadas vinculadas ao programa “Pé na Escola”, iniciativa investigada pelo Ministério Público Federal (MPF).
A ação levou a manifestações da comunidade do Rio Sena e, posteriormente, à determinação da Justiça da Bahia para a reabertura da unidade.
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