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Deputada usa blackface na Alesp para criticar eleição de Erika Hilton à Comissão dos Direitos da Mulher

Parlamentar disse que a ação foi um “experimento social”

Por Da Redação
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Deputada usa blackface na Alesp para criticar eleição de Erika Hilton à Comissão dos Direitos  da Mulher

Foto: Reprodução: Alesp

Durante sessão na Alesp, a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) pintou o rosto com maquiagem escura, prática conhecida como 'blackface'. Segundo ela, a ação foi um “experimento social”.

Ao iniciar a fala, a parlamentar declarou: “vocês estão vendo, eu sou uma mulher branca, eu tive os privilégios de uma pessoa branca em todo o decorrer da minha vida”. Em seguida, questionou: “eu sendo uma pessoa branca […] agora aos 32 anos decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra, e agora, eu virei negra?”.

Ainda durante o discurso, a deputada afirmou: “eu me pintando de negra sinto na pele a dor que uma pessoa negra sentiu pelo racismo?”. Para exemplificar, citou um relato familiar: “eu tenho uma tia que, antes dos anos 90, foi atrás de um emprego e disseram: ‘você é ótima, mas você é negra e aqui a gente não contrata pessoas negras’”.

Na sequência, ela reforçou o argumento de que a experiência não poderia ser reproduzida: “não adianta eu me maquiar, eu não sei as dores que vocês passaram” e “não adianta eu fingir algo”.

A parlamentar também questionou o conceito de representatividade ao dizer: “eu me reconheço como negra, por que eu não posso então presidir a comissão sobre racismo?”. E respondeu: “eu não posso […] porque eu não sou negra, eu não sei as dores da essência que essas pessoas tiveram”.

Na sequência, Fabiana Bolsonaro retirou a maquiagem e ampliou a fala para questões de gênero: “eu sou uma mulher, não adianta me travestir de mulher”. Apesar disso, afirmou não estar “ofendendo transexual”: “tem que ser respeitado sim”, mas acrescentou que “não quer que nenhum trans tire o seu lugar”.

No fim do discurso, a parlamentar criticou o fato de a deputada federal Erika Hilton ter se tornado presidente da Comissão da Mulher. “A gente viu agora, essa semana, na Comissão Federal, lá em Brasília, que uma mulher trans, Erika Hilton, foi colocada como presidente da Comissão da Mulher [...] uma trans está tirando o espaço de fala de uma mulher. Assim como várias outras estão tirando”, declarou.

A deputada também sugeriu que as pautas de mulheres e de mulheres trans deveriam ser separadas. “Que crie, então, a comunidade da mulher trans e que deixem as mulheres mandarem nas mulheres, as mulheres decidirem pelas mulheres”.

O episódio gerou críticas durante a sessão e têm repercutido nas redes sociais.

O uso de blackface é amplamente condenado por movimentos sociais e especialistas por seu histórico racista, independentemente da justificativa apresentada.

Na mesma sessão, a deputada Monica Seixas, do PSOL, pediu questão de ordem e afirmou que o ato caracterizava racismo, transfobia e uso de blackface. A parlamentar solicitou a suspensão da sessão e da transmissão, além de pedir censura por discurso de ódio.

Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados elegeu na quarta-feira (11), a deputada Erika Hilton (Psol-SP) para presidir o colegiado de 2026. Ela recebeu 11 votos, e houve dez votos em branco. Ela substitui a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG).

Durante discurso de posse, a deputada federal lembrou que é a primeira mulher trans a presidir a comissão e se disse disposta a conduzir a gestão com diálogo e defesa dos direitos das mulheres.

“Esta presidência não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande. Minha gestão tratará de todas as mulheres: das mães solo, das mulheres trabalhadoras, das mulheres negras, indígenas e das que lutam por sobrevivência e dignidade em todos os cantos deste país”, declarou.


 

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